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ArtigosVibrant. Volume 5. Número 1. Janeiro a Julho de 2008
"Déjà Lu"ResumosMário de Andrade ainda vive? O ideário modernista em questão. Este trabalho busca refletir sobre a hipótese de que se inicia uma espécie de terremoto na maneira pela qual o Brasil pensa o Brasil no alvorecer do século XXI. Com a recente legislação sobre cotas para negros nas universidades e no serviço público federal, a idéia de nação misturada da "fábula das três raças" parece ter sido questionada cedendo lugar à noção de uma nação dividida entre negros e brancos. Pela primeira vez na nossa história desde os anos de 1920, a elite brasileira parece ter lançado por terra as bases do pensamento que permitiu a criação de nossa cultura mais radicalmente nacional e cosmopolita. O ideário de brasilidade modernista de Mário e Oswald de Andrade, de Paulo Prado e Sérgio Buarque de Holanda, de Gilberto Freire e Di Cavalcanti, de Tarsila do Amaral e Anita Malfati está sob suspeita. Qual o significado da mudança em nossa legislação, e como pode afetar a estrutura de nossa sociedade baseada em um sistema de valores que não aposta na oposição, mas na complementaridade, no que une e não no que separa? Palavras-chave: Ação afirmativa; Cotas; Ensino superior; Nação; Brasilidade modernista. What Do We Know about Quotas? Data and Considerations about the Implementation of the Quota System in the State University of Rio de Janeiro O presente ensaio debate dados estatísticos relativos à implementação de um sistema de cotas raciais e sociais na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Embora ainda se discuta muito acerca dos fundamentos jurídicos das cotas no Brasil, poucos estudos analisam como o sistema efetivamente funciona onde implementado. Contra qualquer expectativa, os dados mostram que os estudantes cotistas têm um rendimento parecido e taxas de abandono inferiores aos estudantes não cotistas. Além disso, a UERJ começa a desenvolver uma nova identidade ao redor do fato que as cotas diversificam o público estudantil, mesclando pessoas de classes sociais e ‘cores’ diferentes. Contudo, a percentagem de estudantes cotistas que cada ano se registram em diversos programas acadêmicos tem constantemente diminuído desde que o sistema de cotas foi adotado em 2003. Explicações para esse fenômeno são apresentadas sob forma de hipóteses, devido à falta de pesquisa e ao difícil acesso ao acervo de dados estatísticos coletados pela Universidade. Educação Superior para indígenas no Brasil: para além das cotas. O objetivo do presente texto é destacar alguns aspectos de significativa importância quando pensamos em políticas de ação afirmativa considerando os povos indígenas no Brasil como seus destinatários. Para isso, trata-se de, em primeiro lugar, recuperar, ainda que brevemente, um pouco da história da ação do Estado republicano brasileiro sobre os povos indígenas no país. Um segundo momento aborda como os povos indígenas passam a demandar a formação ao nível superior. Num terceiro momento, busca-se pensar sobre o contorno de ações afirmativas que se adequem aos desafios da formação superior de indígenas. Identidades substanciais em “comunidades rurais negras” no Brasil. Os estudos de “comunidades rurais negras” somente ganharam algum impulso a partir dos anos 70 e anos 80. Vários estudos foram feitos dentro de um programa de pesquisa na Universidade de São Paulo sobre estas comunidades, que se constituem de famílias “negras”. Inicialmente, os estudos classificavam as comunidades mais como “raciais” do que étnicas; contudo, com o tempo, passaram a adotar mais a perspective de que se tratavam de “grupos étnicos”. Como são identidades “substanciais”, a definição de Barth pareceria se aplicar aqui. No entanto, a partir de uma revisão pormenorizada dessas monografias, observa-se como é questionável a aplicação da noção de “grupo étnico”. Em parte, isso deriva de uma aplicação parcial da definição de Barth e de um problema nessa mesma definição; e em parte, porque parece se tratar de uma vontade política. A etnicização destas comunidades se tornou um “fato” depois da provisão na constituição sobre “quilombos”. Os problemas, porém, na aplicação do conceito de “grupo étnico” para estas identidades substanciais, parecem em grande medida persistir. Palavras-chave: Quilombos; negros; comunidades rurais; etnogênese |