• Andréa Zhouri and Raquel Oliveira, “Development and environmental conflicts in Brazil”

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    ZHOURI, Andréa; OLIVEIRA, Raquel. “Development and environmental conflicts in Brazil: Challenges for anthropology and anthropologists”. in: Vibrant – Virtual Brazilian Anthropology, v. 9, n. 1. January to June 2012. Brasília, ABA. Available at http://www.vibrant.org.br/issues/v9n1/andrea-zhouri-and-raquel-oliveira-development-and-environmental-conflicts-in-brazil/

    Abstract

    In the last three decades, since the democratization of the country and the rise of environmental concerns, Brazil has created a regulatory framework capable of dealing with the environmental impact of its core developmental policies. An environmental governance package has been constructed, with the environmental licensing process as its major instrument. However, this process is based on an urban planning perspective with little assessment of specific local ecological conditions and social organizations. Indeed, the process of globalization has resulted in an intensive exploitation of natural resources, which increases the use of marginal economic areas and the expansion of the economic frontiers into territories occupied by family agriculture, traditional peoples and ethnic minorities. Hence, we see the creation of conflict zones involving locals, state sectors and entrepreneurial groups. Increasingly, within this context, anthropologists have been required to act as experts and mediators by different groups, including state institutions, private companies, and social movements. Based on ethnographic research about the environmental licensing processes of hydroelectric dams in Brazil, this paper focuses on the limits of anthropological knowledge, the contexts of its production and the role of anthropologists in political processes involving unequal networks of power.

    Keywords: conflict; anthropological knowledge; environmental licensing process.

    Resumo

    Nas últimas três décadas, desde a democratização do país e a emergência das questões ambientais, o Estado brasileiro tem criado um marco regulatório para a gestão dos impactos ambientais em face da orientação de suas políticas desenvolvimentistas. Um pacote de governança ambiental tem sido construído, tendo como seu principal instrumento o processo de licenciamento ambiental. No entanto, tal instrumento é baseado em modelos urbanos de sociedade e a perspectiva de seu planejamento guarda pouca abertura para contemplar as condições ecológicas específicas e a diversidade das organizações sociais locais. De fato, o processo de mundialização tem resultado na intensiva exploração dos recursos naturais, agravando o uso das áreas econômicas marginais à expansão das fronteiras econômicas sobre os territórios ocupados pela agricultura familiar, povos tradicionais e minorias étnicas. Com efeito, é possível observar zonas de conflito envolvendo grupos locais, setores do Estado e segmentos empresariais. Nesse contexto, antropólogos têm sido crescentemente chamados a atuar como peritos e mediadores por diferentes grupos, incluindo as instituições do Estado, companhias privadas, além dos próprios movimentos sociais. Baseado na pesquisa etnográfica sobre o licenciamento ambiental de hidrelétricas no Brasil, este artigo aborda os limites do conhecimento antropológico, os contextos de sua produção e o papel dos antropólogos em processos políticos envolvendo redes desiguais de poder.

    Palavras-chave: conflito; conhecimento antropológico; licenciamento ambiental