• Chamada de artigos para o dossiê “Fluxos, circulações e seus contrários: perspectivas etnográficas e os desafios teórico-metodológicos”

    Published August 30, 2019

    Editores do dossiê:

    Andréa Lobo – UnB
    Igor José de Reno Machado – UFSCar

     

    Nos últimos tempos, antropólogos têm prestado atenção crescente à interdependência supranacional e às trocas vinculadas a esta. São estudos que se concentram de maneira especial na migração de pessoas e na circulação de coisas no contexto de uma economia mundial transnacional. Fluxos, mobilidades, recombinação e emergência tornaram-se temas favoritos para a antropologia à medida que processos em grande escala põem novas questões para nossa reflexão sobre cultura e sociedade. O Dossiê tem por objetivo reunir trabalhos etnográficos que explorem criticamente as complexas dinâmicas de circulação, trânsitos e mediações no mundo contemporâneo, bem como as categorias que informam esses processos (sejam elas estatais ou não). A partir de análises sobre o movimento de pessoas, coisas (mercantilizadas ou não), informações, símbolos e valores em escala supranacional (regional, continental ou global), nosso interesse é reunir reflexões em dois sentidos:

    1) Pensar as categorias com as quais trabalhamos como ferramentas intelectuais e também a desconstrução de categorias estatais que regulam os vários tipos de circulação transnacional.

    2) Pensar os aspectos da relação com os estados, as mobilidades sujeitas a mecanismos de controle e gestão de populações, a discursos moralizantes ou ainda criminalizadores de determinadas formas de circulação, em detrimentos de outras (como a circulação de mercadorias, por exemplo).

    A maneira como as ciências sociais têm lidado com a relação entre movimento e fronteira revela a reprodução de certa estrutura de pensamento dicotômica, enfatizando ora a fixação de limites, ora a circulação de pessoas, coisas e símbolos. Neste dossiê, propomos um caminho distinto dos vários estudos que abordam os fluxos na configuração de realidades socioculturais que teriam a marca da contemporaneidade e onde a noção de fronteira seria diluída. Estamos interessados em artigos que componham um conjunto de casos empíricos referentes a sociedades conectadas por fluxos e refluxos de múltiplas naturezas e seus processos (inclusive estatais) de consolidação de fronteiras (espaciais, étnicas, geracionais etc.), assim como em reflexões sobre os mecanismos estatais de controle e produção de perspectivas sobre as várias formas de circulação. Complementarmente, desejamos trazer para a discussão o papel do método etnográfico no tratamento dessas realidades. Propomos um debate capaz de avaliar em que medida os novos olhares sobre contextos etnográficos marcados pela fluidez e pela mobilidade, mas também pensar como as tentativas de fixação, exclusão e silenciamento implicam uma revisão metodológica que viabilize reformulações de teorias, a fim de dar conta das realidades em análise.

     

     

    Data final de submissão de artigos pelo sistema SciELO:

    31 de janeiro de 2020